A PALAVRA DE DEUS NA VIDA DE MARIA

interno setembro

A Igreja no Brasil, desde o ano de 1971, dedica o mês de setembro à Bíblia. Volta seu olhar de maneira especial como uma catequese de incentivo à aproximação do cristão com a Palavra de Deus. Partindo da questão bíblica do “Sim” de Maria, reflitamos sobre o tema.
Diante da aparição do Anjo, a Virgem Santíssima não apenas indicou que os fatos se conformassem à vontade de Deus, como também todo o seu ser se realizou segundo a Palavra, o que significa que seu “Sim” foi integral e sem reservas, condição que se adequá ao fato de Maria ser cheia da Graça, como constata e declara o Anjo do Senhor (Lc 1,28).

Maria ser plena da Graça significa que nela repousam todas as graças e tudo nela é repleto de Graça, sem faltas e, portanto, sem pecado, sem qualquer mancha. Tal declaração do Anjo (Arcanjo Gabriel) enfatiza o zelo do Deus Pai ao escolher a Mãe do Deus Filho: bondosa, una, verdadeira e sem mácula, ou seja, bela e imaculada.

Todos esses atributos fazem de Maria o exemplo para a Igreja, que é o Corpo de Cristo, de modo que Aquela, que formou o Cristo Todo em seu ventre, gere ainda todas as gerações dos filhos de Deus, pois que são também eles participantes do Corpo de Cristo.

A escolha de Maria, para ser a Mãe do Primogênito de Deus, implica ser a escolha feita pelo Pai para que Maria também seja a Mãe de Seus filhos, uma vez que Deus decidiu como condição à Salvação, a participação no Corpo de Cristo, pois, nenhum outro caminho salva: só Jesus Cristo. E não querer ter parte no Corpo de Cristo é negar-se à própria salvação.

Eis, pois, que o Criador escolheu a Mulher marcada pelo silêncio da paz para ser a Mãe da Palavra de Deus. Aquele que tudo criou escolheu Maria por Sua Mãe. Ele não a fez uma deusa, mas a ornou com a maior dignidade do Universo, abaixo apenas Dele mesmo, pois (1) – como Deus Pai – escolheu Maria para ser Mãe; (2) – como Deus Filho – escolheu Maria para ser Sua Mãe, a mais amada entre todas; (3) – como Deus Espírito Santo – escolheu Maria para instruir seus filhos numa vida que nos leve a todos, como filhos, de volta ao Céu!

Deus tudo criou por meio da Palavra (Jo 1,1-3), que é o próprio Cristo (Jo 1,14). Tanto na primeira Criação como na segunda e definitiva. No Antigo Testamento, Deus criou o mundo dizendo “Faça-se”. No Novo, propõe a uma mulher e ela responde seu Sim com o mesmo “Faça-se” (Lc 1,38), num sentido de submissão total a fim de que Deus a utilize para renovar todas as coisas, trazendo tudo de volta para o Filho. Pois, toda a Criação foi feita por Deus e para Deus. Assim, tudo o que foi criado pela Palavra (o Cristo) e para o Cristo deve voltar-se.

A maternidade de Maria se plenifica de autoridade uma vez que, sendo ela a Mãe de Jesus, é também a Mãe da Palavra de Deus. Assim, Deus nos dá a Palavra e uma educadora para aprendermos melhor a Palavra. Maria é o modelo que a Igreja busca incessantemente seguir e deve fazê-lo com o mesmo zelo com que os genes de um bebê espelham os genes de seus pais. O cristão deve moldar-se no Corpo de Cristo e, para isso, deve fazer-se novo segundo os genes da Mãe e do Pai do Céu.

Fica, portanto, a lição de que a formação do cristão passa pelo ventre de Maria; pois, quanto mais um indivíduo se faz filho de Maria, mais Corpo de Cristo o é, uma vez que só o Corpo de Cristo nasceu do ventre de Maria e só do ventre de Maria nasceu o Corpo de Cristo.
Na contemplação deste Ano Mariano, quando celebramos os 300 anos de bênçãos da Aparição da Imaculada Conceição nas águas do Rio Paraíba, ecoa o convite: aproximemo-nos de Maria e ouçamos atentamente a Palavra de Deus a fim de que nosso agir seja, em Cristo e Deus, tudo em todos! Amém!

 

Frei Paulo Henrique Romero