CELEBREMOS A PÁSCOA

Numa época de tantos acontecimentos incertos que o ser humano está vivendo, de natureza as mais diversas, que geram em todos muita angústia, preocupação e medo, e afetam as certezas mais íntimas, atingindo por vezes até mesmo a fé (o bem maior), as consequências são fortes, grandes, deixando a todos perdidos, até mesmo a nós cristãos católicos.
As mentiras feitas verdades de maneira descuidadas e desordenadas, sem critério algum, se espalham como um rastilho de pólvora, sem rumo, atingindo a tudo e a todos, causando uma dispersão enorme fruto da insegurança e da luta pela sobrevivência individual de cada um, comprometendo não apenas nosso presente, mas sobretudo o futuro da sociedade e da Igreja. É dentro desse contexto de nuvens escuras e sombrias que chegamos mais uma vez ao tempo de celebrar o Mistério Pascal: a Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus – razão maior de nossa Fé.
Celebrar o Cristo glorificado por Sua morte na cruz e por Sua ressurreição é validar em nosso dia a dia o Sim que damos à Vida em sua totalidade (a presente e a que virá), à Verdade (que é o próprio Jesus) e à Caridade, traduzida em frutos de fraternidade e solidariedade.
Contemplar o Ressuscitado, que foi o Servo Sofredor até as últimas consequências, é abastecer-se de força e coragem para seguir em frente diante de tantas dificuldades; é um inspirar profundo, buscando fôlego dentro de si mesmo, para expirar aquela ousadia - que muitas vezes nem damos conta possuir – lutando contra a cultura do medo e da morte que parece estar enraizada, hoje, em todas as estruturas de nossa sociedade. Contemplar é deixar-se ser tomado pelo ânimo de que, assim como Jesus, também nós podemos vencer!
Em Cristo crucificado e ressuscitado, já não mais somos escravos do pecado e, livres, podemos desarmar o mal e suas manifestações das mais diversas, até mesmo quando vem camuflado em meias verdades e falsa bondade. A glória do Ressuscitado tem força e luz próprias e, com nossa adesão e ação, ela pode transbordar em todas as pessoas e estruturas da sociedade e da Igreja.
Mergulhados na espiritualidade pascal da vida nova que nos nasce por Cristo, somos tomados pela compreensão de que, embora imperfeitos, nem todas as pessoas são endemoniadas e/ou agem a serviço do mal. E mais, se repudiamos o pecado, é dever cristão dar ao pecador o norte para o arrependimento e a conversão, reinserindo-o outra vez na comunidade de fé. Porque ninguém é irrecuperável e de ninguém podemos desistir, pois a Graça salvífica que nos chega através de Jesus é promessa de vitória para todos que aderem ao projeto do Reino de Deus.
Portanto, sejamos anunciadores da salvação pelo Cristo Ressuscitado, ao invés de multiplicadores de boatos e fofocas que destroem pessoas e até famílias inteiras. Sejamos luz e não parceiros das trevas; saibamos separar o joio do trigo, combatendo o mal com o bem, construindo no dia a dia um mundo de paz, justiça, amor e fraternidade.
Sim, meu irmão e minha irmã, celebremos a Páscoa apesar de todos os pesares! Cultivemos a esperança! Celebremos a Páscoa com todo o vigor, na certeza de que Jesus ressuscitou e vivo está no meio de nós!

Frei Paulo Henrique Romêro
Pároco e Reitor